Mais de 33% das mulheres enfrentam problemas de saúde após dar à luz, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, a depressão pós-parto atinge 26,3% das mães, de acordo com a pesquisa “Transtornos mentais no pós-parto no Rio de Janeiro 2021-2023: Pesquisa Nascer no Brasil II”, publicada na Revista de Saúde Pública. Para reduzir esses riscos, o acompanhamento médico no puerpério – período que começa logo após o nascimento do bebê – é considerado essencial.
Por que voltar ao consultório
A obstetra Dra. Maria Mariana Portinho, do serviço AmorSaúde, explica que as consultas permitem detectar precocemente infecções, anemia, sangramentos e alterações emocionais como ansiedade e depressão. Além disso, são momentos para orientar sobre amamentação, sono, autocuidado e planejamento reprodutivo.
Mudanças no organismo
Depois do parto, ocorre queda brusca dos hormônios estrogênio e progesterona, o que pode afetar humor, disposição e padrão de sono. Nesse intervalo, o útero retorna ao tamanho anterior à gestação, as mamas sofrem alterações pela produção de leite, há perda de líquidos e cicatrização de tecidos.
Profissionais indicados
A médica recomenda acompanhamento multidisciplinar:
- Ginecologista/obstetra – avalia involução uterina, cicatrização de cesariana, sangramentos e indicações sobre contracepção;
- Pediatra – acompanha o desenvolvimento do recém-nascido e orienta os cuidados iniciais;
- Enfermeiro ou consultor de amamentação – auxilia em dificuldades de pega, fissuras ou dor nas mamas;
- Psicólogo ou psiquiatra – oferece suporte diante de sofrimento emocional ou depressão pós-parto.
A profissional destaca ainda a importância de uma rede de apoio formada por familiares e amigos, que contribui para reduzir o estresse, melhorar o descanso da mãe e fortalecer o vínculo com o bebê.
Imagem: EdiCase
Sinais que exigem atenção imediata
De acordo com a Dra. Portinho, é necessário procurar atendimento médico rápido caso apareçam:
- Febre persistente;
- Sangramento intenso ou com coágulos grandes;
- Dor abdominal forte ou na cicatriz da cesariana;
- Secreção vaginal com odor forte;
- Dor intensa ou dificuldade para amamentar;
- Tristeza profunda ou pensamentos negativos constantes.
Retorno às atividades
Quando não há complicações, tarefas leves podem ser retomadas cerca de duas semanas após o parto. Atividades que exigem mais esforço costumam demandar pelo menos um mês, sempre respeitando a orientação médica e o ritmo de recuperação de cada mulher.
Com informações de Catraca Livre