A tradicional xícara de café consumida imediatamente depois do almoço pode estar prejudicando a absorção de nutrientes essenciais, segundo nutricionistas e pesquisas citadas por profissionais de saúde. Estudos indicam que a prática reduz em até 39% a assimilação do ferro não heme, presente principalmente em alimentos de origem vegetal.
Como a cafeína interfere na digestão
Nos 60 a 90 minutos que sucedem uma refeição principal, o sistema digestivo atinge o pico de atividade enzimática. Nesse período, estômago e intestino delgado trabalham intensamente para liberar ácidos, enzimas pancreáticas e ativar receptores de minerais como ferro, zinco e cálcio. A ingestão de cafeína logo nesse intervalo acelera o trânsito intestinal, encurtando o tempo de contato entre nutrientes e parede intestinal.
Papel dos taninos na redução do ferro
Os taninos, polifenóis presentes em quantidade considerável no café, têm alta afinidade química pelo ferro não heme. Ao se ligarem a esse mineral, formam compostos insolúveis que o organismo não consegue absorver. Mulheres em idade fértil, gestantes e pessoas com dietas pobres em carne vermelha figuram entre os grupos mais vulneráveis ao déficit de ferro.
Outros nutrientes afetados
Não é apenas o ferro que sofre impacto. Cálcio, zinco, magnésio e vitaminas do complexo B também têm a biodisponibilidade reduzida:
- Cálcio: cafeína aumenta a excreção urinária e diminui a captação intestinal do mineral;
- Zinco: taninos formam quelatos que atrapalham a absorção;
- Magnésio: consumo frequente está associado a maior eliminação renal;
- Vitaminas B: trânsito intestinal acelerado reduz o tempo de absorção.
Cansaço no meio da tarde
Especialistas explicam que o pico de alerta provocado pela cafeína mascara a fadiga inicial. Quando o efeito passa, a falta de ferro e magnésio, essenciais para a produção de energia celular, potencializa a sensação de cansaço.
Intervalo recomendado
A orientação mais aceita entre nutricionistas é aguardar pelo menos uma hora após o término do almoço para consumir café. Em casos de baixa ferritina ou tratamento de anemia, o intervalo pode chegar a duas horas.
Imagem: Carlos anoel Freires dos Santos
O que beber enquanto espera
Durante esse período, profissionais sugerem alternativas que não interferem na digestão:
- Sucos ou frutas cítricas, fontes de vitamina C, que favorecem a absorção de ferro;
- Chás digestivos sem teína, como camomila, erva-doce ou gengibre;
- Água em temperatura ambiente;
- Pequenas porções de frutas vermelhas, benéficas à microbiota intestinal.
Ajustar o horário do café para depois das 14h ou 15h mantém o hábito sem comprometer a ingestão de minerais. Segundo especialistas, a mudança costuma refletir em melhora perceptível da disposição em menos de duas semanas.
Com informações de Catraca Livre
