Especialistas em endocrinologia, nutrologia e medicina integrativa reuniram sete orientações fundamentais para pessoas que interromperam o uso de medicamentos análogos de GLP-1 — as chamadas “canetas emagrecedoras” — e desejam evitar o reganho de peso.
Organismo retoma padrão anterior de fome
De acordo com a endocrinologista Dra. Deborah Beranger, o sobrepeso e a obesidade são condições crônicas influenciadas por fatores metabólicos e genéticos. Quando o tratamento farmacológico é interrompido, o corpo tende a restaurar o apetite e o metabolismo anteriores, favorecendo o aumento do peso. Em alguns casos, explica a médica, é possível reduzir a dose do remédio para fins de manutenção.
A nutróloga Dra. Marcella Garcez destaca que a falta de continuidade nos hábitos saudáveis acelera a recuperação dos quilos perdidos. “Reeducação alimentar, atividade física regular e acompanhamento profissional são indispensáveis”, afirma.
As 7 estratégias indicadas
- Ajuste nutricional — Elevar o consumo de proteínas e fibras ajuda a sustentar a saciedade e estabilizar a glicemia, aponta a ginecologista Dra. Patricia Magier.
- Desmame gradual — A retirada progressiva do fármaco ao longo de semanas reduz o risco de hiperfagia compensatória. Substituição por moléculas de meia-vida mais longa, como a tirzepatida, pode facilitar a transição.
- Suplementação estratégica — Prebióticos e probióticos auxiliam na preservação dos benefícios obtidos com o GLP-1, além de favorecer a produção de ácidos graxos de cadeia curta, importante para o metabolismo energético.
- Melhorar a relação com os alimentos — Evitar culpa e restrições extremas diminui episódios de perda de controle e facilita a manutenção de hábitos sustentáveis, adverte a Dra. Garcez.
- Monitoramento frequente — Pesagens regulares e uso de aplicativos de diário alimentar ajudam a identificar variações de peso e ajustar condutas rapidamente.
- Estímulo da atividade física — Exercícios resistidos preservam a massa muscular e mantêm o gasto calórico basal; atividades aeróbicas reforçam a saúde cardiovascular e ampliam a despesa energética total.
- Suporte comportamental e psicológico — Terapias cognitivo-comportamentais contribuem para controle do apetite e reeducação alimentar, lembram os especialistas.
Os médicos reforçam que a obesidade é multifatorial e exige abordagem personalizada e multidisciplinar para evitar o efeito rebote após o uso das canetas emagrecedoras.
Imagem: EdiCase
Com informações de Catraca Livre