A dermatilomania, também chamada de transtorno de escoriação ou skin picking, é um distúrbio em que a pessoa sente impulso repetitivo de cutucar, apertar ou ferir a própria pele. Segundo a dermatologista Dra. Glauce Eiko, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a condição atinge cerca de 1,4% da população mundial.
O que provoca o comportamento
Embora a origem exata ainda não esteja definida, a especialista explica que fatores genéticos, alterações na estrutura cerebral e gatilhos ambientais podem contribuir para o problema. Situações de estresse, ansiedade, tédio ou a presença de doenças de pele como acne e eczema costumam intensificar o impulso.
Consequências físicas e emocionais
Cutucar a pele de forma contínua pode provocar feridas, formar crostas, causar infecções que exigem antibióticos e deixar cicatrizes permanentes. Além dos prejuízos físicos, o transtorno gera sofrimento emocional: muitos pacientes evitam atividades sociais para esconder as lesões.
Ligação com outros transtornos
A compulsão costuma aparecer em qualquer fase da vida e, raramente, surge isolada. A dermatologista destaca a associação frequente com quadros de ansiedade e outros distúrbios psicológicos. Pensamentos intrusivos, como a sensação de que algo “fora do lugar” na pele precisa ser removido, podem atrapalhar o sono e a concentração.
Estratégias de controle
Períodos de maior estresse tendem a agravar o hábito. Para tentar conter as crises, a médica sugere:
Imagem: EdiCase
- Criar e manter rotina de cuidados com a pele;
- Limitar o tempo em frente ao espelho, guardando espelhos de aumento e programando alarmes no celular;
- Usar loção para as mãos e manter as unhas curtas e lixadas, reduzindo o risco de ferimentos.
Tratamento multiprofissional
A principal linha de cuidado envolve equipe composta por psicólogo e psiquiatra. Identificar gatilhos, mapear impulsos e compreender as emoções antes e depois de cutucar a pele são passos recomendados. “Compreender os porquês ajuda a definir as próximas etapas”, reforça a Dra. Glauce Eiko.
Pacientes que enfrentam dificuldades para controlar o impulso devem buscar avaliação especializada para evitar complicações físicas e emocionais.
Com informações de Catraca Livre