Conflitos constantes, sensação de sobrecarga e frustração costumam marcar relações afetivas repetitivas, nas quais antigos padrões se mantêm mesmo com novos parceiros. Segundo a psicóloga Hosana Pinheiro, da Clínica Revitalis, a mente busca referências conhecidas, especialmente aquelas assimiladas na infância, o que leva algumas pessoas a reviver dinâmicas aprendidas como “amar é sofrer”.
Fatores que favorecem o ciclo
A psicoterapeuta Daniele Caetano, fundadora da Caminhos da Terapia, destaca que medo de abandono, necessidade de aprovação, baixa autoestima e dificuldade em impor limites ampliam o risco de entrar em relações desgastantes.
Impactos na saúde mental e na vida social
Hosana Pinheiro alerta que a repetição de vínculos disfuncionais mantém o organismo em estado de estresse crônico, rebaixa a autoestima e pode culminar em crises de ansiedade, esgotamento mental e depressão. Daniele Caetano acrescenta que o problema ultrapassa a esfera emocional, prejudicando desempenho profissional e afastando amigos e familiares.
Pessoas mais vulneráveis
Indivíduos que sofreram traumas ou negligência na infância, conviveram com pais críticos, emocionalmente indisponíveis ou com dependência química tendem a associar amor a instabilidade. Sem uma “bússola interna” sólida, confundem a montanha-russa emocional com paixão, observa Pinheiro.
Como reconhecer padrões destrutivos
Observar emoções e reações é o primeiro passo. “Quando os cenários mudam, mas a sensação final de vazio, rejeição ou exaustão persiste, o denominador comum é a própria pessoa”, diz Hosana Pinheiro. Reações desproporcionais, como angústia intensa diante de uma mensagem não respondida, podem indicar gatilhos de feridas antigas.
Estratégias para romper o ciclo
De acordo com Daniele Caetano, quem deseja sair de relações repetitivas deve:
Imagem: EdiCase
• assumir a responsabilidade pela própria história, sem culpa;
• investir em autoconhecimento;
• aprender a dizer “não”;
• fazer escolhas diferentes, ainda que desconfortáveis no início.
A psicoterapia é apontada por Hosana Pinheiro como ferramenta essencial, por oferecer ambiente seguro para elaborar traumas e compreender a origem dos gatilhos.
Benefícios de quebrar o padrão
Romper ciclos destrutivos devolve autonomia, aumenta a autoestima e melhora a regulação emocional. Também redireciona energia para outros projetos e abre espaço para relações pautadas em segurança e apoio, conclui Pinheiro.
Com informações de Catraca Livre